Veterinárias desmistificam focinho do cão e indicam cuidados essenciais

ìndices
  1. Microbiota natural e factores de variação
  2. Riscos de transmissão e grupos vulneráveis
  3. Mito da saliva cicatrizante
  4. Boas práticas de higiene

O focinho do cão acolhe uma microbiota diversificada, composta por bactérias como Staphylococcus, Pasteurella e Porphyromonas, mas não deve ser rotulado como «sujo» ou perigoso quando o animal se encontra saudável. A conclusão é avançada pelas médicas-veterinárias Bruna Martins, do grupo PetCare, e Bruna Garcia, da Petlove, que sublinham a importância de cuidados básicos para proteger animais e tutores.

Microbiota natural e factores de variação

Segundo Bruna Martins, a presença de microrganismos no focinho manifesta-se de forma semelhante ao que acontece noutras partes do corpo, em cães e em humanos. O equilíbrio dessa flora depende da idade, alimentação, ambiente, frequência de passeios e acompanhamento veterinário. Animais vacinados, vermifugados e com higiene bucal adequada tendem a manter uma microbiota estável e menos patogénica.

Bruna Garcia compara o focinho às mãos humanas: é a principal ferramenta exploratória, tocando e cheirando diferentes superfícies. Essa função expõe o cão a parasitas, fungos ou bactérias, sobretudo quando contacta com lixo, fezes, água estagnada ou urina de outros animais.

Riscos de transmissão e grupos vulneráveis

O perigo para humanos surge quando há contacto entre a saliva ou as mucosas do animal e feridas abertas, olhos ou boca do tutor. Crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas constituem os grupos mais suscetíveis a infecções como leptospirose, salmonelose ou micoses.

As veterinárias frisam que os riscos diminuem se o cão estiver com o esquema vacinal em dia, realizar desparasitação regular e receber avaliações periódicas no veterinário. Higienizar as mãos após as brincadeiras e evitar lambidelas no rosto são medidas simples que reduzem a probabilidade de zoonoses.

Veterinárias desmistificam focinho do cão e indicam cuidados essenciais - Imagem do artigo original

Imagem: canaldopet.ig.com.br

Mito da saliva cicatrizante

A crença de que a saliva canina acelera a cicatrização é infundada. Embora contenha enzimas com ligeira acção antibacteriana, a saliva transporta numerosos microrganismos capazes de agravar a ferida e prolongar o processo de cicatrização. O hábito de o cão lamber lesões humanas ou próprias deve, por isso, ser desencorajado.

Boas práticas de higiene

A escovagem dentária com pasta específica para animais, o uso de petiscos que favoreçam a limpeza bucal e a lavagem suave do focinho com gaze ou pano húmido, sobretudo em raças com dobras faciais, são recomendados por Bruna Martins. Bruna Garcia acrescenta a limpeza de focinho e patas após os passeios e a limitação do acesso a áreas contaminadas.

Além da higiene local, as especialistas recordam que vacinação, controlo de parasitas externos e vermifugação completam o conjunto de medidas preventivas. Adoptar estes cuidados preserva o equilíbrio da microbiota e minimiza o risco de transmissão de doenças entre cães e pessoas.

Postagens Relacionadas

Go up