Identificar correctamente as aranhas potencialmente perigosas é fundamental para reduzir acidentes domésticos. De acordo com o Instituto Butantan, apenas cerca de 5 % das espécies oferecem risco real, mas conhecer os sinais de alerta ajuda a agir com rapidez e segurança.
Peçonhentas ou venenosas: qual é a diferença?
O director do Laboratório de Colecções Zoológicas do Butantan, Dr. Antônio Brescovit, esclarece que “peçonhento” refere-se ao animal que injecta toxinas através de estruturas especializadas — no caso das aranhas, as quelíceras. Já “venenoso” aplica-se a organismos que libertam substâncias tóxicas por contacto ou ingestão. A distinção é importante, pois somente os peçonhentos provocam picadas activas.
Três grupos concentram a maioria dos acidentes
No Brasil, as ocorrências mais graves envolvem armadeiras (género Phoneutria), aranhas-marrom (Loxosceles) e viúvas-negras (Latrodectus).
Armadeiras — Corpo volumoso, pernas longas e postura elevada de defesa. Possuem veneno neurotóxico e são frequentes nas regiões Sul e Sudeste.
Aranhas-marrom — Pequenas, de coloração castanha uniforme e hábito discreto. O veneno necrótico pode originar lesões cutâneas extensas.
Viúvas-negras — Pequeno porte, abdómen arredondado com desenhos em forma de relógio de areia. O veneno neurotóxico é potente, embora os encontros sejam menos comuns.
Entre as espécies mais implicadas destacam-se Phoneutria nigriventer e Phoneutria keyserlingi, Loxosceles gaucho e Loxosceles laeta, além de Latrodectus geometricus.

Imagem: jornal diário via canaldopet.ig.com.br
Prevenção dentro de casa
A maior parte das picadas ocorre em ambientes urbanos. Manter divisões limpas, sem entulho ou objectos empilhados, reduz esconderijos. Antes de calçar sapatos ou vestir roupas guardadas, recomenda-se sacudir as peças e inspecionar cantos de armários, atrás de quadros e embaixo de móveis. A instalação de telas nas janelas impede a entrada de artrópodes.
O que fazer em caso de picada
Se ocorrer um acidente, a orientação é procurar assistência médica imediata. São desaconselhados tratamentos caseiros, como aplicação de pomadas improvisadas ou substâncias domésticas. Sempre que possível, o exemplar deve ser levado ao serviço de saúde para identificação, facilitando a escolha do antídoto adequado.
O Ministério da Saúde mantém uma lista de unidades de referência que distribuem soros antiveneno; as secretarias estaduais indicam o hospital mais próximo com disponibilidade do tratamento.
Com diagnóstico rápido e terapêutica adequada, a maioria dos casos evolui favoravelmente, reforçando a importância da informação correcta e da prevenção no quotidiano.